
fotos: Christiane Teixeira - retratos da ilha de Santa Catarina
Mundo grande



Outrora viajei países imaginários,
Meus amigos foram às ilhas.

Carlos Drummond de Andrade
As Estrelas:
Cada estrela de nossa Bandeira representa um dos estados do nosso país.
A estrela Spica situada acima da faixa branca representa o estado do Pará, que em 1889 era o Estado com maior território acima da linha do equador (Amapá e Roraima eram territórios federais até 1988). O Distrito Federal, ao contrário do que muitos acreditam, não é representado por essa estrela, mas sim pela estrela sigma do Octante, também chamada de Polaris Australis ou Estrela Polar do Sul, por situar-se no Pólo Sul celestial (em contrapartida a Polaris, situada no Pólo Norte celestial). Apesar de ser pouco brilhante e estar próxima ao limite de visualização a olho nu, essa estrela tem uma posição única no céu do hemisfério sul, pois é em torno dela que todas as estrelas visíveis giram. Além disso, Polaris Australis sempre está acima da linha do horizonte e pode ser vista em qualquer dia e em qualquer horário de quase todos os lugares abaixo da linha do Equador.
O Hino à Bandeira:
A letra é linda, poética e retrata as maravilhas do Brasil. Foi escrita por Olavo Bilac (1865-1918) com música de Francisco Braga (1868-1945) e apresentada pela primeira vez em 15 de agosto de 1906 segundo o livro Bandeira e Hinos de Gustavo Adolpho Bailly - 1942.
Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amados,
Poderoso e feliz há de ser.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
* Para saber mais sobre a palestra do Hans Donner no Programa Brasil em Debate na ALESC, acesse o blog da RPPN Rio das Lontras:
fonte pesquisada e fotos: web
Nesse vídeo, Eduardo Giannetti acena os principais tópicos que envolvem o termo "Sustentabilidade" no Brasil e no mundo.
Eduardo Giannetti da Fonseca é um economista brasileiro, formado na FEA/USP e em Ciências Sociais pela FFLCH/USP.É PhD em Economia pela Universidade de Cambridge (Inglaterra), onde foi professor de 1984 a 1987. Entre 1988 e 2000 lecionou na FEA/USP, e hoje é professor Tempo integral do Ibmec São Paulo e membro do Conselho Superior de Economia da FIESP.
É autor de diversos livros e artigos, e ganhador dois prêmios Jabuti, em 1994 com o livro Vícios privados, benefícios públicos? (Cia. das Letras, 1993) e em 1995 com o livro: As partes & o todo (Sisciliano, 1995).
Outros livros escritos por Giannetti são:
Beliefs in action (Cambridge University Press, 1991) Auto-engano (Cia. das Letras, 1997) Felicidade (Cia. das Letras, 2002) O Valor do Amanhã (Cia. da Letras, 2005)
fonte: web
Fonte: G1 - portal de notícias da globo, artigo de Stevens Reben
Stevens Rehen é presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) e pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.
1.Afloramentos: Para impedir a contaminação pelo derrame de agrotóxicos, um dia a agricultura que utiliza fertilizantes e pesticidas poderá ser proibida nestas regiões.
2.Aquecimento: Em regiões onde o aqüífero é profundo, as fazendas poderão aproveitar a água naturalmente quente para combater geadas. Ou para reduzir o consumo de energia elétrica em chuveiros e aquecedores.
3.Irrigação: Usar água tão boa para regar plantas é um desperdício. Mas, segundo os geólogos, essa pode ser a única solução para lavoura em áreas em risco de desertificação, como o sul de Goiás e o oeste do Rio Grande do Sul.
4.Aqueduto: Transportar líquido a grandes distâncias é caro e acarreta perdas imensas por vazamento. Mas, para a cidade de São Paulo, que despeja 90% de seus esgotos nos rios, sem tratamento nenhum, o Guarani poderá, um dia, ser a única fonte.
GEOGRAFIA
O Guarani é um dos maiores aqüíferos do mundo, cobrindo uma superfície de quase 1,2 milhões de km². Está inserido na Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, localizada no Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, e constitui a principal reserva de água subterrânea da América do Sul, com um volume estimado em 46 mil km³.A população atual na área de ocorrência do Aqüífero Guarani está estimada em aproximadamente 29,9 milhões de habitantes. Nas áreas de afloramento a população é de cerca de 3,7 milhões de pessoas (12,5 % do total).
O teólogo Leonardo Boff escreveu um artigo no jornal on line O Tempo sobre esse importante aqüífero: A água potável é uma das preocupações maiores da humanidade, pois somente 0,7% dela é acessível ao uso humano. Um bilhão de pessoas tem água insuficiente e 2,5 bilhões não dispõem de saneamento básico. Como na fase planetária da humanidade não há um contrato social mundial que confira caráter civilizado às relações entre os povos, são muitos os que postulam criar tal pacto ao redor daquilo que absolutamente interessa a todos: a água potável.
O Brasil comparece como a potência mundial das águas, pois aqui está 13,8% de toda água doce do planeta. E ainda dispomos, junto com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, do maior aqüífero (águas subterrâneas) do mundo, o aqüífero Guarani. Possui um volume maior que toda a água contida nos rios e lagos da Terra. Antes de mais nada, cabe dizer que não se trata de um lago subterrâneo, mas de uma cadeia imensa de aproximadamente 1,2 milhão de km2 de rochas arenosas, saturadas de água, que ficam, em média, entre 70 a 800 metros abaixo do solo, perpassando oito Estados (70,2% da área do aqüífero): Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A área total do aqüífero é de 1.195.500 km2, superior à soma da França, Espanha e Inglaterra juntos.
Seu surgimento geológico é muito curioso. O aqüífero está assentado sobre um deserto pré-histórico, da era mesozóica (há uns 200 milhões de anos), sobre o qual os ventos formaram extensos campos de dunas. No período do cretáceo (há cerca de 125 milhões de anos), houve formidáveis erupções vulcânicas que recobriram de lava toda aquela região arenosa. Surgiu aquilo que hoje se chama de formação Serra Geral. A lava solidificada estancou a areia de alta porosidade, permitindo grande acúmulo de água, cerca de 48 mil km3 (48 quatrilhões de litros). O potencial de extração, sem riscos para o aqüífero, é da ordem de 40 km3 anuais (cerca de 40 trilhões de litros). O aqüifero não é contínuo. Em vários lugares, como no Paraná, está completamente compartimentado, havendo uma espécie de diques verticais basálticos que isolam as águas, armazenando-as por até 30 mil anos.
Há três tipos de águas no sistema Guarani: tipicamente água doce, com total mineralização, água salobra e água alcalina. O uso principal das águas no Brasil é para abastecimento da população (70%), para uso industrial (25%) e para turismo hidrotermal (5%). Isso é feito lá onde ele aflora ou então por poços cuja profundidade varia de 300 a 800 metros até 1.795 metros de profundidade, conforme as regiões, com vazões da ordem de 75 a 520 m3 por hora.
Os estudos têm revelado que as águas do aqüífero Guarani estão ainda livres de contaminação. Mas em regiões de recarga, especialmente de intensiva atividade agroindustrial, como em Ribeirão Preto, Araraquara e Piracicaba, a vulnerabilidade é maior em razão dos pesticidas.Como o aqüífero envolve quatro países, estão se formulando políticas comuns no sentido de preservar esse bem natural imprescindível e torná-lo disponível não só para nós, mas também para a humanidade sedenta e faminta.
fonte: revista superinteressante, jornal O Tempo, dados de "Aqüifero Guarani" (2004), de Nadia Rita, José Roberto Borghetti e Ernani Francisco da Rosa Filho, imagem web.
Esta é a Villa Hermosa, no México. Também debaixo d'água.
imagem web
Música para ouvir todos os dias. Porque faz bem para a alma!
Tim se foi, mas deixou essa linda canção.
E tudo que a gente faz tem Natureza, que Beleza!
Pesquisadores do Jet Propulsion Laboratory, em Pasadena, informaram que um quinto planeta foi encontrado orbitando 55 Cancri, uma estrela situada a 41 anos-luz da Terra, na constelação de Câncer.
Geoff Marcy, astrônomo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, disse que a descoberta mostra que outro sistema solar semelhante ao da Terra pode ser achado do espaço.
"A relevância é maravilhosa. Sabemos agora que nosso sol e sua família de planetas não são incomuns. Isso mostra que nossa Via Láctea tem milhões de sistemas planetários e suspeitamos fortemente de que alguns desses sistemas escondem planetas como a Terra", disse.
O novo planeta tem 45 vezes a massa da Terra e parece ser semelhante a Saturno em sua composição e aparência.
O planeta realiza uma órbita de 260 dias em torno de 55 Cancri e se situa na "zona habitável" em torno da estrela, onde as temperaturas permitiriam a presença de água em superfícies sólidas.
Agora, se você quiser dar um passeio até lá, vai ser meio demorado... Se pudéssemos viajar à velocidade da luz, seriam 41 anos para chegar até lá...
Então cuidar desse nosso Planeta Terra é o que está ao nosso melhor alcance!
Fonte: Nasa e Diário do Grande ABC.
Eram chamados de cavaleiros do céu os pilotos franceses que abriram as primeiras rotas de correio aéreo entre Europa, África e América do Sul, a partir dos anos posteriores à Primeira Guerra Mundial.
No Brasil, diversos aeródromos foram criados para pousos e decolagens daqueles pequenos e inseguros aviões, que tinham pouca autonomia de vôo e enfrentavam freqüentes panes. Um desses aeródromos estava localizado em Florianópolis, na Praia do Campeche, onde os aventureiros faziam escala para repouso e abastecimento.
Entre os pilotos, um deles tinha um nome difícil de pronunciar e anos mais tarde ficaria mundialmente conhecido como escritor e autor do livro O Pequeno Príncipe, publicado em 1943.
A presença de Antoine de Saint-Exupéry na Ilha de Santa Catarina ganha a partir de hoje um selo de autenticidade que deve dobrar os últimos - se ainda existir algum - reticentes. Trata-se da inauguração do Espaço Zeperri, localizado na pousada de mesmo nome e que vai oferecer uma exposição permanente de quadros, pôsteres e banners que contam toda a trajetória de vida do aviador, que nasceu em 1900 e morreu ao cair no Mar Mediterrâneo (alguns biógrafos sugerem que ele teria se suicidado), próximo da costa francesa, em 31 de julho de 1944.
Enviado pela própria família de Exupéry, o material da mostra é o mesmo apresentado na França nas comemorações dos 60 anos de O Pequeno Príncipe, evento organizado pelas edições Gallimard e Fundação Saint-Exupéry. Os textos escritos originalmente em francês estão traduzidos para o português e o inglês. Além dos quadros, também fazem parte da exposição uma canoa artesanal da época, uma maquete do avião Breguet 14 (o primeiro a ser pilotado por Exupéry), uma estante com os livros publicados pelo escritor e objetos temáticos relacionados ao seu personagem mais famoso.
A sobrinha-neta de Exupéry, Hélène DAgay, estará presente na inauguração como representante oficial da família.
- A nossa idéia era valorizar a história cultural do bairro, que não tem apenas sol e praia. Mas não imaginávamos que iria chegar onde chegou - afirma o manezinho e proprietário da pousada Gerson Amorim, que, juntamente com a esposa Elzi e os filhos, dedicou os últimos três meses exclusivamente à organização do espaço, financiado com recursos próprios.
Os mais notórios cavaleiros do céu eram, além de Exupéry, Jean Mermoz (piloto que inaugurou os vôos noturnos entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, em 1928, e abriu a rota nos Andes no ano seguinte) e Henri Guillaumet. Os três pilotos mantinham um forte laço de amizade e morreram fazendo o que mais amavam, voar.
Guillaumet, que sobrevivera a um acidente nos Andes, onde ficou vários dias perdido na imensidão das montanhas geladas, seria abatido durante a Segunda Guerra, em 1940, próximo à região da Sardenha, quando transportava um comissário francês até a Síria. Mermoz desapareceu com sua tripulação ao realizar a travessia do Atlântico Sul, em 1936, a bordo de um hidravião.
Lagoa do Peri - "Zé do Perri"
Pesquisas confirmam os relatos orais
A falta de uma prova material sempre foi um argumento forte de alguns historiadores que não acreditam nos relatos orais dos pescadores, principalmente de Seu Deca, cujas descrições da amizade com "Zé Perri" entre 1929 e 1931 foram reveladas em livro pelo filho Getúlio Manoel Inácio.
No entanto, Guillemette de Bure, neta de Marcel Bouilloux-Lafont (empreendedor que expandiu a Aéropostale na América Latina), pesquisou durante 20 anos a história da empresa aérea e não tem dúvidas: tanto Saint-Exupéry quanto Mermoz teriam feito viagens extra-oficiais (voiyages détudes) na região. O resultado da meticulosa pesquisa está no livro Les secrets de LAéropostale (em tradução livre, Os Segredos da Aéropostale), publicado no ano passado.
Já a biógrafa de Exupéry, a norte-americana Stacy de La Bruyère, aponta que o escritor era o chefe do posto em Buenos Aires e sua função era vistoriar todos os aeródromos na América do Sul, o que incluiria Florianópolis e Pelotas (RS), no Sul do Brasil.
- Conversei com a Guillemette durante as minhas pesquisas e ela também acredita que não haveria motivo para o Saint-Exupéry não ter estado no Campeche - diz a doutora em Relações Franco-Brasileiras e pós-doutoranda pela Fapesp, Mônica Cristina Corrêa (veja entrevista), que tem se dedicado ao tema e responde pela curadoria da exposição, com a assistência da bibliotecária Marfísia Lancellotti, ex-diretora técnica da Biblioteca Mário de Andrade.
Muito além do livro O Pequeno Príncipe
Além de ter uma função educativa, o espaço também vai promover a ampliação da importância de Saint-Exupéry para a literatura, que não se restringe a O Pequeno Príncipe. O francês escreveu vários outros livros, como Vôo Noturno (1931), Correio Sul (1929) e Terra dos Homens (1939), este último traduzido por Rubem Braga, todos relacionados de alguma forma à aviação e às aventuras dos cavaleiros do céu.
- Não estamos desvalorizando o seu livro mais conhecido, mas o Saint-Exupéry não é o Pequeno Príncipe. Ele ficou estigmatizado. Existem muitas outras histórias escritas a partir de suas experiências como aviador - destaca Mônica.
Afora a mostra, Antoine de Saint-Exupéry já é lembrado no Campeche com um memorial e com o nome de uma avenida (Av. Pequeno Príncipe). Um vídeo foi realizado por alunos do curso de cinema da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), intitulado Zé Perri no Campeche (2000). A pista de pouso ainda existe e pertence à Aeronáutica. O Espaço Zeperri ficará aberto para visitação pública de turistas, estudantes e outros interessados, com agendamento, e a exposição passa a pertencer definitivamente ao Campeche.
Réplica do avião que Exupéry aterrisava no Campeche
Exposição "Não existe contradição" Entrevista Mônica Cristina Corrêa, curadora
Diário Catarinense - A passagem de Saint-Exupéry por Florianópolis sempre foi encarado com um certo ceticismo por alguns historiadores. Ainda existe alguma dúvida sobre isso?
Mônica Cristina Corrêa - Eu posso afirmar que não. A descoberta do campo de aviação do Campeche e a compra do terreno pelo piloto Paul Vachet mostra uma relação de grande amizade e empatia com os pescadores, tanto que ele usa até palavras em português, como "compadre", "comadre", "abraço", para dizer como eles se sentiam e se relacionavam. Existem vários livros que mostram essa relação de amizade entre eles. Mais importante é que a neta do Bouilloux-Lafont, Guillemette de Bure, sabe e afirmou que tanto Exupéry quanto Mermoz fizeram várias viagens extra oficiais no Campeche. E há outra coisa contundente. Exupéry era chefe da LAéropostale, portanto era o responsável pela supervisão de todos os aeródromos da costa brasileira. Obrigatoriamente essa supervisão incluía visitas. Por que ele pularia Florianópolis?
DC - No livro Vôo Noturno, Saint-Exupéry diz: "A escala em Florianópolis não observou as instruções. Essa seria a maior das provas?
Mônica - É uma prova escrita, do autor falando sobre Florianópolis, mas a gente não pode se agarrar única e exclusivamente a isso. Outros pilotos falam disso, registraram Florianópolis. Eu acho que o ceticismo está ligado à tradição oral. Por que a gente daria importância a um pescador analfabeto, que contava essas histórias, como o Seu Deca? Isso é uma maneira quase brasileira de desacreditar sua cultura. Comparando o relato do Getúlio, que é uma transmissão do relato do pai, com o que a gente sabe da presença francesa por aqui, não existe contradição. Muito pelo contrário.
DC - Mas como se daria essa conversação entre pescadores analfabetos e pilotos franceses que não falavam o português?
Mônica - É exatamente isso que o Vachet nos mostra. Ele desceu na praia do Campeche, escolheu o lugar da pista, e precisava regularizar os títulos de propriedade para legalizar o aeródromo. Ele só poderia negociar isso com os pescadores e não falava português. Então ele chamou um juiz de paz de Florianópolis para fazer os casamentos. Ele foi padrinho, juntamente com a esposa, do casamento legal desses pescadores. E toda vez que ele descia, era cercado pelos pescadores. Recebia tapinhas carinhosos nas costas e era chamado de compadre. Essa forma de comunicação se amplia para além da palavra e os pilotos também faziam os seus esforços para serem entendidos. Em vários lugares do Brasil os aviões entravam em pane e caíam. E para tirar o avião daquela situação, na praia ou na selva, quem ajudava no serviço eram os habitantes locais, que nunca falaram francês. Supor que eles somente poderiam criar um vínculo se um falasse português ou o outro francês é uma coisa muito "moderninha". A comunicação humana não se restringe à palavra.
DC - Por que a pista de pouso do Campeche era tão importante estrategicamente para os pilotos?
Mônica - Porque o vôo do Rio de Janeiro para Buenos Aires era complicado, por conta da natureza, dos acidentes geográficos, dos ventos. Os aviões da época eram muito precários e não tinham combustível nem condições de fazer um vôo direto do Rio de Janeiro até Buenos Aires. Existiam aeródromos na costa inteira, com hangares que guardavam todos os equipamentos necessários, peças de reposição, combustível e aviões reserva.
DC - Onde podemos identificar essa "herança" deixada pelos pilotos franceses em Florianópolis?
Mônica - Tem uma coisa interessante que é a palavra "popote", muito repetida aqui e que tem vários significados em francês. É uma marmita ou também um lugar onde os militares se reúnem para comer, um refeitório. Imaginei que se tratasse de um galicismo, uma palavra como "suflê" ou "musse" e tantas outras que passaram para o vocabulário português. Mas não se trata de um galicismo, ela é uma palavra do vocabulário local.
DC - Você acha que Florianópolis deveria aproveitar melhor, turisticamente, esse aspecto da história? De que forma?
Mônica - É isso que estamos tentando fazer. O turista também busca a cultura da história local. O Espaço Zeperri quer proporcionar uma fonte de informações sobre o tema. Existe muita coisa na Ilha que se refere à aviação e a Saint-Exupéry. O que falta é reunir e traduzir todos os documentos que dizem respeito a essa presença francesa. A gente pode ir além da praia e da aventura, também podemos ter cultura.
Antoine de Saint Exupéry - escritor entre tantas obras de "O Pequeno Príncipe"
Pesquisa: web e jornal Diário Catarinense.