sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ajude o Brasil cumprir a meta do Desmatamento Zero, assinando a petição abaixo: Chame seus amigos e bora fazer nossa parte! As florestas agradecem!

sábado, 15 de janeiro de 2011

PORQUE BELO MONTE NÃO DEVE SAIR DO PAPEL



Assistiu o vídeo?

Ajude a desenvolver o Brasil de maneira Sustentável, assinando a petição contra esse atrasado e retrógrado projeto!
Aqui embaixo:
PARE BELO MONTE

domingo, 5 de dezembro de 2010

AQUI E AGORA!

Na sexta-feira última, 03 de dezembro em Angelina - SC, o jornalista Luiz Carlos Prates que admiro muito veio dar uma palestra em promoção da CDL da cidade. Veja mais AQUI!

Prates é uma pessoa que observa o mundo como um garimpeiro das notícias e quando fala o que todo mundo sabe, mas não faz, mexe com algo que muita gente quer mais é esconder debaixo do tapete.

Na palestra ele falou entre outras coisas sobre como as pessoas projetam a felicidade para o futuro: "...no ano que vem vai, quando eu me formar vai, quando minha filha casar aí sim, quando eu comprar o carro novo vai, quando eu fizer aquela viagem vai, quando eu me aposentar...

A verdade é que projetando o futuro para a tão sonhada felicidade as pessoas esquecem de viver intensamente o momento presente e assim vão adiando até passarem os anos sem chegar lá (porque quando chegar tal sonho, não irá curtir, nem valorizar). Até levarem um baque qualquer tipo os mineiros que ficaram presos na mina - faça-os "abrir os olhos". Aí começam a enxergar a vida de outro modo.

O melhor lugar do mundo é AQUI E AGORA! Faça valer cada momento, então. Porque quem faz o lugar é cada um de nós.

Abaixo um vídeo onde ele dá um recado para as pessoas endividadas porque "compraram o sonho a longas e comprometedoras parcelas". Se quiser continuar anestesiado pra vida, vai perder muito tempo até se dar conta...



terça-feira, 21 de setembro de 2010

DIA DA ÁRVORE

Querida árvore:

O que seria de mim se você não existisse?

Ainda bem que posso comemorar seu dia. Pois você
está sempre pertinho de mim.

Um abraço no seu tronco pelo seu dia e um
beijo nas suas folhas.

E uma poesia do Drummond.

E uma foto minha com você!


Era uma árvore no passeio
e fosse tempo claro ou feio,
havia uma paz de agasalho
dependurada em cada galho.

E foi vivendo. Viver gasta
músculo e flama de ginasta,
quanto mais uma arvorezinha
meio garota-de-sombrinha.


Carlos Drummond de Andrade, Viola de Bolso

PAIXÃO PELA NATUREZA

Ficar "pelado" pode contribuir para o meio ambiente, desde que se tenha algo interessante para mostrar, como boas idéias.
Uma campanha do GREENPEACE intitulada "Come together for forests" despiu a camisa para vestir-se de natureza.
Assista abaixo:




terça-feira, 17 de agosto de 2010

CENA BIODIVERSA



domingo, 8 de agosto de 2010

RPPN DE FACHADA

Uma matéria do Correio do Litoral informa aquilo que já há algum tempo vem acontecendo.

Empresas criam RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) e fazem a destruição do meio ambiente ficar "verdinha" novamente. Passam a bola para os biólogos fazerem um discurso bem bonito para a criançada. Sofismo. Enganação. Leia com atenção a matéria abaixo e cuidado para não "trilhar" o ecológico das palavras bonitas e atitudes covardes.



Alerta aos pais

ESCRITO POR FERNANDA DE AQUINO

O governo federal criou um programa chamado Segundo Tempo, considerado pela Organização das Nações Unidas o maior e mais completo Programa sócio-esportivo do mundo. O objetivo é democratizar e oferecer a prática de modalidades esportivas para crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, no contra turno escolar, contribuindo para a formação da cidadania e a melhoria na qualidade de vida.

Numa parceria com as prefeituras, durante o período de férias escolares, o programa passa a se chamar Recreio nas Férias. Até aí tudo bem. Mas, adivinhe como a coisa funcionou em São Francisco do Sul.

Cerca de 300 jovens e crianças entre 6 a 17 anos foram conduzidas à empresa ARCELORMITTAL VEGA para, sob o monitoramento de profissionais da empresa, visitarem a área verde por ela denominada de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Durante o passeio na trilha, naturalmente que os estudantes aprenderam o nome de algumas das diversas espécies de plantas as quais sempre fizeram parte de suas vidinhas, considerando que todos vivem numa ilha “ainda” bastante natural. Posso ver o monitor, que provavelmente é um biólogo desnaturado, dizendo da importância de se preservar a natureza, do quanto isso depende dessa nova geração, blá, blá, blá... num discurso politicamente correto.

É isso mesmo! Por questões puramente políticas, informações preciosas a respeito dessa empresa não foram passadas aos estudantes nem antes, nem durante, nem depois da visita – o que, reconheçamos, seria mais honesto. Meia verdade é uma mentira inteira. É um crime contra o ser humano em formação. É uma covardia porque usa mensagens subliminares para inverter valores universais.

As crianças e adolescentes provavelmente saíram de lá com a idéia de que a Vega é uma mãe. Sem saberem que a cabeça que ajuda a formar uma mentalidade ecológica na nova geração é a mesma que vem destruindo boa parte do equilíbrio ecológico na ilha. Irônico. Triste. Revoltante.

Instalada há mais de 10 anos em São Francisco, sob protestos vigorosos da população, a fábrica, além de ficar com a água potável dos francisquenses por direito, ainda a polui em níveis alarmantes. De processos movidos por ongs ambientalistas, ela está até o pescoço. Mesmo assim, permanece. Enquanto isso, trata de ir passando a mão na cabecinhas das crianças e promovendo pequenas benfeitorias à população – o que seria da responsabilidade do estado e município, como pintar as escolinhas de cores modernas, comprar uns moveizinhos novos para essas escolinhas... Isso sob o aplauso dos pais, que são obrigados a se sentirem agradecidos à tamanha benevolência para o resto de suas vidas. Eles, os caras da tal empresa, sabem que “quem meu filho beija, minha boca adoça” e fazem um bom uso disso.

Pois é assim mesmo que se constrói uma pessoa. Uma idéia aqui, outra acolá. E quando se vê, lá está o ser humano, pleno em sua fé. E é fundamentada nesta fé que suas atitudes serão direcionadas amanhã.

Troca de favores é uma prática comum e plenamente aceitável. Agora... envolver criancinhas na história é mais do que demonstração de poder. É aproveitar-se covardemente da ignorância social para obter benefício próprio, é manipular uma geração inteira que está por vir a favor de interesses escusos e capitalistas. Tendo sido filha de pai e mãe avessos a tudo aquilo que convém, graças a Deus, eu não permitiria que um filho meu participasse de tal “passeio” Que fique o alerta aos pais.

Fonte: Correio do Litoral


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

FRIO NO SUL DO BRASIL

Urubici - SC 04/08/2010

Nasci e cresci na bela e Santa Catarina. Bela porque sua natureza surpreende aos milhares de turistas daqui do Brasil e do mundo inteiro que vem conhecê-la. Surpreendente porque muitos acham que aqui pode ser Rússia, Suíça, Itália ou qualquer outro local deste planeta que faça tanto frio e neve quanto a região mais fria do Brasil - Santa Catarina.


Urupema - SC 04/08/2010

Parem de dizer que aqui é outro lugar. Aqui é Brasil sim. Veja  mais fotos aqui!

Uma terra de mil jeitos. Jeitos de natureza e jeitos humanos. Situada ao Sul do Brasil, entre os estados do Paraná e Rio Grande do Sul, Santa Catarina recusa definições. Este pequeno estado brasileiro, com pouco mais de 6 milhões de habitantes, reúne em seus singelos 95,4 mil km² uma diversidade tal de cenários e gentes que deslumbram os que aqui visitam. Praias de areia branca, matas tropicais e serras nevadas. Pescadores açorianos, agricultores italianos e industriais alemães. Uma terra de belos e definitivos contrastes, e por isto mesmo tão fascinante.

Urubici, a 1.820 metros de altitude, é a cidade mais fria do estado, e lá a temperatura chega aos zero graus no auge do inverno. São Joaquim - segundo produtor regional de maçã - recebe maior incidência de neve e, por conseqüência, o maior número de visitantes da região. Lages, mais para o oeste, foi passagem dos tropeiros que ligavam o Rio Grande do Sul a São Paulo e ainda hoje por lá predominam a cultura campeira, o pinhão, o churrasco e o chimarrão.

Estou a 70km do litoral no início desta bela serra. Passou uma semana até criar coragem de escrever esta.  No momento o termômetro marca 14° dentro de casa. Isso é um alento. Quando fizer 18° estarei feliz porque vou ficar com menos casacos...



Pesquisa feita no site de SC.

sábado, 19 de junho de 2010

MAGO SARAMAGO



As cortinas fecharam para ele. Que pena!
Eu, como ele, também acho o mundo tão bonito, que é uma pena morrer.
Abaixo, o que ele disse - calado e baixinho, mesmo não querendo dizer:


Poema À Boca Fechada
de José Saramago

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição
(sugado do Jornal de Poesia)

terça-feira, 8 de junho de 2010

OS DEZ MANDAMENTOS, REVISTOS E ATUALIZADOS





O Le Monde Diplomatique Brasil de abril de 2010 publicou um artigo muito interessante. Trata-se da versão atualizada e revista dos dez mandamentos. A visão faz parte dos documentos de discussão dos pesquisadores do grupo Crises e Oportunidades. Porque o planeta merece e precisa. São mandamentos testados e aprovados por diversas regiões do mundo e particularmente fico muito feliz em saber que o mundo não está tão perdido assim, existem cientistas das soluções sem aquelas ilusões políticas. Basta pensar e agir!

CRISE E OPORTUNIDADES

Os Dez Mandamentos, revistos e atualizados

Considerando que a obediência à versão original dos Dez Mandamentos foi apenas aleatória, desta vez o Altíssimo teve a prudência de acrescentar a cada um deles uma nota de explicação, destinada em particular aos impenitentes

por Ladislau Dowbor

O presente artigo faz parte da plataforma de discussão Crises e Oportunidades.1 Participam dele Ignacy Sachs, Carlos Lopes, Ladislau Dowbor e dezenas de outros pesquisadores.

I – Não Comprarás o Estado

Resgatar a dimensão pública do Estado: Como podemos ter mecanismos reguladores que funcionem se é o dinheiro das corporações a regular que elege os reguladores? Se as agências que avaliam risco são pagas por quem cria o risco? Uma das propostas mais evidentes da última crise financeira, e que encontramos mencionada em quase todo o espectro político, é a necessidade de reduzir a capacidade das corporações privadas, ditarem as regras do jogo. A quantidade de leis aprovadas no sentido de reduzir impostos sobre transações financeiras, reduzir a regulação do Banco Central e autorizar os bancos a fazer toda e qualquer operação, somada com o poder dos lobbies financeiros, torna evidente a necessidade de resgatar o poder regulador do Estado; para isso, os políticos devem ser eleitos por pessoas de verdade, e não por pessoas jurídicas que constituem ficções em termos de direitos humanos. Enquanto não tivermos financiamento público das campanhas e políticos que representem os interesses dos cidadãos, prevalecerão os interesses econômicos de curto prazo e a corrupção.

II – Não Farás Contas Erradas

As contas têm de refletir os objetivos que visamos. O PIB (Produto Interno Bruto) indica a intensidade do uso do aparelho produtivo, mas não indica a utilidade do que se produz, para quem, e com que custos para o estoque de bens naturais de que o planeta dispõe. Conta como aumento do PIB um desastre ambiental, o aumento de doenças, o cerceamento de acesso a bens livres. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) já foi um imenso avanço, mas temos de evoluir para uma contabilidade integrada dos resultados efetivos dos nossos esforços, e particularmente da alocação de recursos financeiros em função de um desenvolvimento que não seja apenas economicamente viável, mas também socialmente justo e ambientalmente sustentável. As metodologias existem, aplicadas parcialmente em diversos países, setores ou pesquisas. A adoção, em todas as cidades, de indicadores locais de qualidade de vida tornou-se hoje indispensável para medir o que efetivamente interessa: o desenvolvimento sustentável, o resultado em termos de qualidade de vida da população. Muito mais que o output, trata-se de medir o outcome.

III – Não Reduzirás o Próximo à Miséria

Algumas coisas não podem faltar a ninguém. A pobreza crítica é o drama maior, tanto pelo sofrimento que causa em si, como pela articulação com os dramas ambientais, o não acesso ao conhecimento, a deformação do perfil de produção que se desinteressa das neces-
sidades dos que não têm capacidade aquisitiva. A ONU (Organização das Nações Unidas) calculou, no ano 2000, que custaria US$ 300 bilhões tirar da miséria um bilhão de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia. São custos ridículos quando se considera os trilhões transferidos para grupos econômicos no quadro da última crise financeira. O benefício ético é imenso, pois é inaceitável a morte de 10 milhões de crianças por ano, devido a causas ridículas. O benefício de curto e médio prazo é grande, na medida em que os recursos direcionados à base da pirâmide dinamizam imediatamente a micro e pequena produção, agindo como processo anticíclico, como se tem constatado nas políticas sociais de muitos países. No mais longo prazo, será uma geração de crianças que terá sido alimentada decentemente, o que se transforma em melhor aproveitamento escolar e maior produtividade na vida adulta. A teoria, tão popular, de que o pobre se acomoda se receber ajuda, é simplesmente desmentida pelos fatos: sair da miséria estimula, e o dinheiro é mais útil simplesmente onde é mais necessário.

IV – Não Privarás Ninguém do Direito de Ganhar o seu Pão

Universalizar a garantia do emprego é viável. Toda pessoa que queira ganhar o pão da sua família deve poder ter acesso ao trabalho. Num planeta onde há um mundo de coisas a fazer, inclusive para resgatar o meio ambiente, é absurdo o número de pessoas sem acesso a formas organizadas de produzir e gerar renda. Temos os recursos e os conhecimentos técnicos e organizacionais para assegurar, em cada vila ou cidade, acesso a um trabalho decente e socialmente útil. As experiências de Maharashtra, na Índia, demonstraram a sua viabilidade, assim como as numerosas experiências brasileiras, sem falar no New Deal da crise dos anos 1930. São opções onde todos ganham: o município melhora o saneamento básico, a moradia, a manutenção urbana, a policultura alimentar. As famílias passam a viver decentemente; e a sociedade passa a ser melhor estruturada e menos tensionada. Os gastos com seguro desemprego se reduzem. No caso indiano, cada vila ou cidade é obrigada a ter um cadastro de iniciativas intensivas em mão de obra. Dinheiro emprestado ou criado desta forma representa investimento, melhoria de qualidade de vida, e dá excelente retorno. E argumento fundamental: assegura que todos tenham o seu lugar para participar na construção de um desenvolvimento sustentável. Na organização econômica, além do resultado produtivo, é essencial pensar no processo estruturador ou desestruturador gerado. A dimensão de geração de emprego de todas as iniciativas econômicas tem de se tornar central.

V – Não Trabalharás mais de 40 Horas

Podemos trabalhar menos, e trabalharemos todos, com tempo para fazer coisas mais interessantes na vida. A subutilização da força de trabalho é um problema planetário, ainda que desigual na sua gravidade. No Brasil, o setor informal situa-se na ordem de 50% da PEA (População Economicamente Ativa). Uma imensa parte da nação “se vira” para sobreviver. No lado dos empregos de ponta, as pessoas não vivem, por excesso de carga de trabalho. Não se trata aqui de uma exigência de luxo: são incontáveis os suicídios nas empresas onde a corrida pela eficiência se tornou simplesmente desumana. O estresse profissional está se tornando uma doença planetária, e a questão da qualidade de vida no trabalho passa a ocupar um espaço central. A redistribuição social da carga de trabalho torna-se hoje uma necessidade. As resistências são compreensíveis, mas a realidade é que, com os avanços da tecnologia, os processos produtivos tornam-se cada vez menos intensivos em mão de obra, e reduzir a jornada é uma questão de tempo. A redução da jornada não reduzirá o bem-estar ou a riqueza da população, e sim a deslocará para novos setores mais centrados no uso do tempo livre, com mais atividades de cultura e lazer. Não precisamos necessariamente de mais carros e bonecas Barbie, precisamos sim de mais qualidade de vida.

VI – Não Organizarás a tua Vida em Função do Dinheiro

A mudança de comportamento, de estilo de vida, não constitui um sacrifício, e sim o resgate do bom senso. Neste planeta de 7 bilhões de habitantes, com um aumento anual da ordem de 75 milhões, toda política envolve também uma mudança de comportamento individual e da cultura do consumo. O respeito às normas ambientais, a moderação do consumo, o cuidado no endividamento, o uso inteligente dos meios de transporte, a generalização da reciclagem, a redução do desperdício – há um conjunto de formas de organização do nosso cotidiano que passa por uma mudança de valores e de atitudes frente aos desafios econômicos, sociais e ambientais. Hoje, 95% dos domicílios no Brasil têm televisão, e o uso informativo inteligente deste e de outros meios de comunicação tornou-se fundamental. Frente aos esforços necessários para reequilibrar o planeta, não basta reduzir o martelamento publicitário que apela para o consumismo desenfreado; é preciso generalizar as dimensões informativas dos meios de comunicação. A mídia científica praticamente desapareceu, os noticiários navegam no atrativo da criminalidade, quando precisamos vitalmente de uma população informada sobre os desafios reais que enfrentamos. Grande parte da mudança do comportamento individual depende de ações públicas: as pessoas não deixarão o carro em casa (ou deixarão de tê-lo) se não houver transporte público; não farão reciclagem se não houver sistemas adequados de coleta. Precisamos de uma política pública de mudança do comportamento individual.

VII – Não Ganharás Dinheiro com o Dinheiro dos Outros

Racionalizar os sistemas de intermediação financeira é viável. A alocação final dos recursos financeiros deixou de ser organizada em função dos usos finais de estímulo e orientação de atividades econômicas e sociais, para obedecer às finalidades dos próprios intermediários financeiros. A atividade de crédito é sempre uma atividade pública, seja no quadro das instituições públicas, seja no quadro dos bancos privados que trabalham com dinheiro do público, e que para tanto precisam de uma carta patente que os autoriza a ganhar dinheiro com dinheiro dos outros. A recente crise financeira de 2008 demonstrou com clareza o caos que gera a ausência de mecanismos confiáveis de regulação no setor. O dinheiro não é mais produtivo onde rende mais para o intermediário: devemos buscar a produtividade sistêmica de um recurso que é público. A intermediação financeira é um meio, não um fim. A intermediação especulativa – diferentemente da intermediação de compras e vendas entre produtores e utilizadores finais – apenas gera uma pirâmide especulativa e insegurança, além de desorganizar os mercados e as políticas econômicas.

VIII – Não Tributarás as Ações que mais nos Ajudam

A filosofia do imposto, de quem se cobra e a quem se aloca, precisa ser revista. Uma política tributária equilibrada na cobrança e reorientada na aplicação dos recursos constitui um dos instrumentos fundamentais de que dispomos, sobretudo porque pode ser promovida por mecanismos democráticos. O eixo central não está na redução dos impostos, e sim na cobrança socialmente mais justa e na alocação mais produtiva em termos sociais e ambientais. A taxação das transações especulativas (nacionais ou internacionais) deverá gerar fundos para financiar uma série de políticas essenciais para o reequilíbrio social e ambiental. O imposto sobre grandes fortunas é hoje essencial para reduzir o poder político das dinastias econômicas (10% das famílias do planeta são donas de 90% do patrimônio familiar acumulado no planeta). O imposto sobre heranças é fundamental para dar chance a partilhas mais equilibradas para as sucessivas gerações. É importante lembrar que as grandes fortunas do planeta, em geral, estão vinculadas não a um acréscimo de capacidades produtivas, e sim à aquisição maior de empresas por um só grupo, gerando uma pirâmide cada vez mais instável e menos governável de propriedades cruzadas, impérios onde a grande luta é pelo controle do poder financeiro, político e midiático, e a apropriação de recursos naturais. O sistema tributário tem de ser reformulado no sentido anticíclico, privilegiando atividades produtivas e penalizando as especulativas: no sentido de maior equilíbrio social, ao ser fortemente progressivo; e no sentido de proteção ambiental, ao taxar emissões tóxicas ou geradoras de mudança climática, bem como o uso de recursos naturais não renováveis. O poder redistributivo do Estado é grande, tanto pelas políticas que executa – por exemplo, as políticas de saúde, lazer, saneamento e outras infraestruturas sociais que melhoram o nível de consumo coletivo – como pelas que pode fomentar, como opções energéticas, inclusão digital e assim por diante. A democratização aqui é fundamental. A apropriação dos mecanismos decisórios sobre a alocação de recursos públicos está no centro dos processos de corrupção, envolvendo as grandes bancadas corporativas, por sua vez ancoradas no financiamento privado das campanhas.

IX – Não Privarás o Próximo do Direito ao Conhecimento

Travar o acesso ao conhecimento e às tecnologias sustentáveis não faz o mínimo sentido. A participação efetiva das populações nos processos de desenvolvimento sustentável envolve um denso sistema de acesso público e gratuito à informação necessária. A conectividade planetária que as novas tecnologias permitem constitui uma ampla via de acesso direto. O custo/benefício da inclusão digital generalizada é simplesmente imbatível, pois é um programa que desonera as instâncias administrativas superiores, na medida em que as comunidades com acesso à informação se tornam sujeitos do seu próprio desenvolvimento. A rapidez da apropriação desse tipo de tecnologia, até nas regiões mais pobres, se constata na propagação do celular e das lan houses mais modestas. O impacto produtivo é imenso para os pequenos produtores, que passam a ter acesso direto a diversos mercados, tanto de insumos como de venda, escapando aos diversos sistemas de atravessadores comerciais e financeiros. A inclusão digital generalizada é um destravador potente do conjunto do processo de mudança que hoje se torna indispensável. A criação de redes de núcleos de fomento tecnológico on-line, com ampla capilaridade, pode se inspirar na experiência da Índia, onde foram criados núcleos em praticamente todas as vilas do país. O World Economic and Social Survey 2009 é particularmente eloquente ao defender a flexibilização de patentes no sentido de assegurar ao conjunto da população mundial o acesso às informações indispensáveis para as mudanças tecnológicas exigidas por um desenvolvimento sustentável.

X – Não Controlarás a Palavra do Próximo

Democratizar a comunicação tornou--se essencial. A comunicação é uma das áreas que mais explodiu em termos de peso relativo nas transformações da sociedade. Estamos permanentemente cercados de mensagens. As nossas crianças passam horas submetidas a publicidade ostensiva ou disfarçada. A indústria da comunicação, com sua fantástica concentração internacional e nacional – e a crescente interação entre os dois níveis – gerou uma máquina de fabricar estilos de vida, um consumismo obsessivo que reforça o elitismo, as desigualdades, o desperdício de recursos, como símbolo de sucesso. O espectro eletromagnético em que estas mensagens navegam é público, e o acesso a uma informação inteligente e gratuita para todo o planeta é simplesmente viável. Expandindo gradualmente as inúmeras formas alternativas de mídia, que surgem por toda parte, há como introduzir uma cultura nova, outras visões de mundo, cultura diversificada e não pasteurizada, pluralismo em vez de fundamentalismos religiosos ou comerciais.

Sendo o Secretariado do Altíssimo, hoje, bem equipado, os que por acaso tenham dificuldades técnicas poderão se instruir com outros Assessores, em linha direta sob www.criseoportunidade.wordpress.com. Ignacy Sachs, Carlos Lopes e Ladislau Dowbor expressaram aqui opiniões pessoais, e reclamações deverão se dirigir a instâncias superiores

Ladislau Dowbor é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia, e professor titular da PUC-SP. É autor de A reprodução social e Democracia economômica - um passeio pelas teorias (contato).


1 Crise e Oportunidade