sábado, 19 de junho de 2010

MAGO SARAMAGO



As cortinas fecharam para ele. Que pena!
Eu, como ele, também acho o mundo tão bonito, que é uma pena morrer.
Abaixo, o que ele disse - calado e baixinho, mesmo não querendo dizer:


Poema À Boca Fechada
de José Saramago

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição
(sugado do Jornal de Poesia)

terça-feira, 8 de junho de 2010

OS DEZ MANDAMENTOS, REVISTOS E ATUALIZADOS





O Le Monde Diplomatique Brasil de abril de 2010 publicou um artigo muito interessante. Trata-se da versão atualizada e revista dos dez mandamentos. A visão faz parte dos documentos de discussão dos pesquisadores do grupo Crises e Oportunidades. Porque o planeta merece e precisa. São mandamentos testados e aprovados por diversas regiões do mundo e particularmente fico muito feliz em saber que o mundo não está tão perdido assim, existem cientistas das soluções sem aquelas ilusões políticas. Basta pensar e agir!

CRISE E OPORTUNIDADES

Os Dez Mandamentos, revistos e atualizados

Considerando que a obediência à versão original dos Dez Mandamentos foi apenas aleatória, desta vez o Altíssimo teve a prudência de acrescentar a cada um deles uma nota de explicação, destinada em particular aos impenitentes

por Ladislau Dowbor

O presente artigo faz parte da plataforma de discussão Crises e Oportunidades.1 Participam dele Ignacy Sachs, Carlos Lopes, Ladislau Dowbor e dezenas de outros pesquisadores.

I – Não Comprarás o Estado

Resgatar a dimensão pública do Estado: Como podemos ter mecanismos reguladores que funcionem se é o dinheiro das corporações a regular que elege os reguladores? Se as agências que avaliam risco são pagas por quem cria o risco? Uma das propostas mais evidentes da última crise financeira, e que encontramos mencionada em quase todo o espectro político, é a necessidade de reduzir a capacidade das corporações privadas, ditarem as regras do jogo. A quantidade de leis aprovadas no sentido de reduzir impostos sobre transações financeiras, reduzir a regulação do Banco Central e autorizar os bancos a fazer toda e qualquer operação, somada com o poder dos lobbies financeiros, torna evidente a necessidade de resgatar o poder regulador do Estado; para isso, os políticos devem ser eleitos por pessoas de verdade, e não por pessoas jurídicas que constituem ficções em termos de direitos humanos. Enquanto não tivermos financiamento público das campanhas e políticos que representem os interesses dos cidadãos, prevalecerão os interesses econômicos de curto prazo e a corrupção.

II – Não Farás Contas Erradas

As contas têm de refletir os objetivos que visamos. O PIB (Produto Interno Bruto) indica a intensidade do uso do aparelho produtivo, mas não indica a utilidade do que se produz, para quem, e com que custos para o estoque de bens naturais de que o planeta dispõe. Conta como aumento do PIB um desastre ambiental, o aumento de doenças, o cerceamento de acesso a bens livres. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) já foi um imenso avanço, mas temos de evoluir para uma contabilidade integrada dos resultados efetivos dos nossos esforços, e particularmente da alocação de recursos financeiros em função de um desenvolvimento que não seja apenas economicamente viável, mas também socialmente justo e ambientalmente sustentável. As metodologias existem, aplicadas parcialmente em diversos países, setores ou pesquisas. A adoção, em todas as cidades, de indicadores locais de qualidade de vida tornou-se hoje indispensável para medir o que efetivamente interessa: o desenvolvimento sustentável, o resultado em termos de qualidade de vida da população. Muito mais que o output, trata-se de medir o outcome.

III – Não Reduzirás o Próximo à Miséria

Algumas coisas não podem faltar a ninguém. A pobreza crítica é o drama maior, tanto pelo sofrimento que causa em si, como pela articulação com os dramas ambientais, o não acesso ao conhecimento, a deformação do perfil de produção que se desinteressa das neces-
sidades dos que não têm capacidade aquisitiva. A ONU (Organização das Nações Unidas) calculou, no ano 2000, que custaria US$ 300 bilhões tirar da miséria um bilhão de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia. São custos ridículos quando se considera os trilhões transferidos para grupos econômicos no quadro da última crise financeira. O benefício ético é imenso, pois é inaceitável a morte de 10 milhões de crianças por ano, devido a causas ridículas. O benefício de curto e médio prazo é grande, na medida em que os recursos direcionados à base da pirâmide dinamizam imediatamente a micro e pequena produção, agindo como processo anticíclico, como se tem constatado nas políticas sociais de muitos países. No mais longo prazo, será uma geração de crianças que terá sido alimentada decentemente, o que se transforma em melhor aproveitamento escolar e maior produtividade na vida adulta. A teoria, tão popular, de que o pobre se acomoda se receber ajuda, é simplesmente desmentida pelos fatos: sair da miséria estimula, e o dinheiro é mais útil simplesmente onde é mais necessário.

IV – Não Privarás Ninguém do Direito de Ganhar o seu Pão

Universalizar a garantia do emprego é viável. Toda pessoa que queira ganhar o pão da sua família deve poder ter acesso ao trabalho. Num planeta onde há um mundo de coisas a fazer, inclusive para resgatar o meio ambiente, é absurdo o número de pessoas sem acesso a formas organizadas de produzir e gerar renda. Temos os recursos e os conhecimentos técnicos e organizacionais para assegurar, em cada vila ou cidade, acesso a um trabalho decente e socialmente útil. As experiências de Maharashtra, na Índia, demonstraram a sua viabilidade, assim como as numerosas experiências brasileiras, sem falar no New Deal da crise dos anos 1930. São opções onde todos ganham: o município melhora o saneamento básico, a moradia, a manutenção urbana, a policultura alimentar. As famílias passam a viver decentemente; e a sociedade passa a ser melhor estruturada e menos tensionada. Os gastos com seguro desemprego se reduzem. No caso indiano, cada vila ou cidade é obrigada a ter um cadastro de iniciativas intensivas em mão de obra. Dinheiro emprestado ou criado desta forma representa investimento, melhoria de qualidade de vida, e dá excelente retorno. E argumento fundamental: assegura que todos tenham o seu lugar para participar na construção de um desenvolvimento sustentável. Na organização econômica, além do resultado produtivo, é essencial pensar no processo estruturador ou desestruturador gerado. A dimensão de geração de emprego de todas as iniciativas econômicas tem de se tornar central.

V – Não Trabalharás mais de 40 Horas

Podemos trabalhar menos, e trabalharemos todos, com tempo para fazer coisas mais interessantes na vida. A subutilização da força de trabalho é um problema planetário, ainda que desigual na sua gravidade. No Brasil, o setor informal situa-se na ordem de 50% da PEA (População Economicamente Ativa). Uma imensa parte da nação “se vira” para sobreviver. No lado dos empregos de ponta, as pessoas não vivem, por excesso de carga de trabalho. Não se trata aqui de uma exigência de luxo: são incontáveis os suicídios nas empresas onde a corrida pela eficiência se tornou simplesmente desumana. O estresse profissional está se tornando uma doença planetária, e a questão da qualidade de vida no trabalho passa a ocupar um espaço central. A redistribuição social da carga de trabalho torna-se hoje uma necessidade. As resistências são compreensíveis, mas a realidade é que, com os avanços da tecnologia, os processos produtivos tornam-se cada vez menos intensivos em mão de obra, e reduzir a jornada é uma questão de tempo. A redução da jornada não reduzirá o bem-estar ou a riqueza da população, e sim a deslocará para novos setores mais centrados no uso do tempo livre, com mais atividades de cultura e lazer. Não precisamos necessariamente de mais carros e bonecas Barbie, precisamos sim de mais qualidade de vida.

VI – Não Organizarás a tua Vida em Função do Dinheiro

A mudança de comportamento, de estilo de vida, não constitui um sacrifício, e sim o resgate do bom senso. Neste planeta de 7 bilhões de habitantes, com um aumento anual da ordem de 75 milhões, toda política envolve também uma mudança de comportamento individual e da cultura do consumo. O respeito às normas ambientais, a moderação do consumo, o cuidado no endividamento, o uso inteligente dos meios de transporte, a generalização da reciclagem, a redução do desperdício – há um conjunto de formas de organização do nosso cotidiano que passa por uma mudança de valores e de atitudes frente aos desafios econômicos, sociais e ambientais. Hoje, 95% dos domicílios no Brasil têm televisão, e o uso informativo inteligente deste e de outros meios de comunicação tornou-se fundamental. Frente aos esforços necessários para reequilibrar o planeta, não basta reduzir o martelamento publicitário que apela para o consumismo desenfreado; é preciso generalizar as dimensões informativas dos meios de comunicação. A mídia científica praticamente desapareceu, os noticiários navegam no atrativo da criminalidade, quando precisamos vitalmente de uma população informada sobre os desafios reais que enfrentamos. Grande parte da mudança do comportamento individual depende de ações públicas: as pessoas não deixarão o carro em casa (ou deixarão de tê-lo) se não houver transporte público; não farão reciclagem se não houver sistemas adequados de coleta. Precisamos de uma política pública de mudança do comportamento individual.

VII – Não Ganharás Dinheiro com o Dinheiro dos Outros

Racionalizar os sistemas de intermediação financeira é viável. A alocação final dos recursos financeiros deixou de ser organizada em função dos usos finais de estímulo e orientação de atividades econômicas e sociais, para obedecer às finalidades dos próprios intermediários financeiros. A atividade de crédito é sempre uma atividade pública, seja no quadro das instituições públicas, seja no quadro dos bancos privados que trabalham com dinheiro do público, e que para tanto precisam de uma carta patente que os autoriza a ganhar dinheiro com dinheiro dos outros. A recente crise financeira de 2008 demonstrou com clareza o caos que gera a ausência de mecanismos confiáveis de regulação no setor. O dinheiro não é mais produtivo onde rende mais para o intermediário: devemos buscar a produtividade sistêmica de um recurso que é público. A intermediação financeira é um meio, não um fim. A intermediação especulativa – diferentemente da intermediação de compras e vendas entre produtores e utilizadores finais – apenas gera uma pirâmide especulativa e insegurança, além de desorganizar os mercados e as políticas econômicas.

VIII – Não Tributarás as Ações que mais nos Ajudam

A filosofia do imposto, de quem se cobra e a quem se aloca, precisa ser revista. Uma política tributária equilibrada na cobrança e reorientada na aplicação dos recursos constitui um dos instrumentos fundamentais de que dispomos, sobretudo porque pode ser promovida por mecanismos democráticos. O eixo central não está na redução dos impostos, e sim na cobrança socialmente mais justa e na alocação mais produtiva em termos sociais e ambientais. A taxação das transações especulativas (nacionais ou internacionais) deverá gerar fundos para financiar uma série de políticas essenciais para o reequilíbrio social e ambiental. O imposto sobre grandes fortunas é hoje essencial para reduzir o poder político das dinastias econômicas (10% das famílias do planeta são donas de 90% do patrimônio familiar acumulado no planeta). O imposto sobre heranças é fundamental para dar chance a partilhas mais equilibradas para as sucessivas gerações. É importante lembrar que as grandes fortunas do planeta, em geral, estão vinculadas não a um acréscimo de capacidades produtivas, e sim à aquisição maior de empresas por um só grupo, gerando uma pirâmide cada vez mais instável e menos governável de propriedades cruzadas, impérios onde a grande luta é pelo controle do poder financeiro, político e midiático, e a apropriação de recursos naturais. O sistema tributário tem de ser reformulado no sentido anticíclico, privilegiando atividades produtivas e penalizando as especulativas: no sentido de maior equilíbrio social, ao ser fortemente progressivo; e no sentido de proteção ambiental, ao taxar emissões tóxicas ou geradoras de mudança climática, bem como o uso de recursos naturais não renováveis. O poder redistributivo do Estado é grande, tanto pelas políticas que executa – por exemplo, as políticas de saúde, lazer, saneamento e outras infraestruturas sociais que melhoram o nível de consumo coletivo – como pelas que pode fomentar, como opções energéticas, inclusão digital e assim por diante. A democratização aqui é fundamental. A apropriação dos mecanismos decisórios sobre a alocação de recursos públicos está no centro dos processos de corrupção, envolvendo as grandes bancadas corporativas, por sua vez ancoradas no financiamento privado das campanhas.

IX – Não Privarás o Próximo do Direito ao Conhecimento

Travar o acesso ao conhecimento e às tecnologias sustentáveis não faz o mínimo sentido. A participação efetiva das populações nos processos de desenvolvimento sustentável envolve um denso sistema de acesso público e gratuito à informação necessária. A conectividade planetária que as novas tecnologias permitem constitui uma ampla via de acesso direto. O custo/benefício da inclusão digital generalizada é simplesmente imbatível, pois é um programa que desonera as instâncias administrativas superiores, na medida em que as comunidades com acesso à informação se tornam sujeitos do seu próprio desenvolvimento. A rapidez da apropriação desse tipo de tecnologia, até nas regiões mais pobres, se constata na propagação do celular e das lan houses mais modestas. O impacto produtivo é imenso para os pequenos produtores, que passam a ter acesso direto a diversos mercados, tanto de insumos como de venda, escapando aos diversos sistemas de atravessadores comerciais e financeiros. A inclusão digital generalizada é um destravador potente do conjunto do processo de mudança que hoje se torna indispensável. A criação de redes de núcleos de fomento tecnológico on-line, com ampla capilaridade, pode se inspirar na experiência da Índia, onde foram criados núcleos em praticamente todas as vilas do país. O World Economic and Social Survey 2009 é particularmente eloquente ao defender a flexibilização de patentes no sentido de assegurar ao conjunto da população mundial o acesso às informações indispensáveis para as mudanças tecnológicas exigidas por um desenvolvimento sustentável.

X – Não Controlarás a Palavra do Próximo

Democratizar a comunicação tornou--se essencial. A comunicação é uma das áreas que mais explodiu em termos de peso relativo nas transformações da sociedade. Estamos permanentemente cercados de mensagens. As nossas crianças passam horas submetidas a publicidade ostensiva ou disfarçada. A indústria da comunicação, com sua fantástica concentração internacional e nacional – e a crescente interação entre os dois níveis – gerou uma máquina de fabricar estilos de vida, um consumismo obsessivo que reforça o elitismo, as desigualdades, o desperdício de recursos, como símbolo de sucesso. O espectro eletromagnético em que estas mensagens navegam é público, e o acesso a uma informação inteligente e gratuita para todo o planeta é simplesmente viável. Expandindo gradualmente as inúmeras formas alternativas de mídia, que surgem por toda parte, há como introduzir uma cultura nova, outras visões de mundo, cultura diversificada e não pasteurizada, pluralismo em vez de fundamentalismos religiosos ou comerciais.

Sendo o Secretariado do Altíssimo, hoje, bem equipado, os que por acaso tenham dificuldades técnicas poderão se instruir com outros Assessores, em linha direta sob www.criseoportunidade.wordpress.com. Ignacy Sachs, Carlos Lopes e Ladislau Dowbor expressaram aqui opiniões pessoais, e reclamações deverão se dirigir a instâncias superiores

Ladislau Dowbor é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia, e professor titular da PUC-SP. É autor de A reprodução social e Democracia economômica - um passeio pelas teorias (contato).


1 Crise e Oportunidade

quinta-feira, 27 de maio de 2010

AVATANDO

Era uma vez uma floresta. Sim, era eu disse.
Ela tentava sobreviver após 500 anos de intensa exploração. Começou com seus primeiros habitantes, os índios. Mas estes a usavam de forma sustentável. Mesmo porque a população era pequena e não ameaçava a biodiversidade.

Já foi considerada um paraíso na época que foi descoberta. "Ilha de Vera Cruz", "Ilha de Santa Cruz", diziam os primeiros exploradores europeus.

Parece que estou falando para a atualidade, no ano de 2010 para um deputado que não estudou muito sobre a história do nosso país como ele é hoje. O Sr. Aldo Rebelo que quer mudar o código florestal brasileiro, disse em uma recente entrevista que "os índios já devastavam tudo há 500 anos atrás e que hoje os agricultores não podem usar nada em suas terras porque não é permitido tirar uma arvorezinha sequer".

Como esse senhor pode comparar o que se fazia há 500 anos com agora? Ele não sabe o tamanho da floresta que havia nesta época? Seria o mesmo que querermos voltar no tempo e admitirmos a escravidão, por exemplo. Como nós pobres mortais que queremos o melhor para o mundo podemos ser representados lá no congresso senão por ONGs bem intencionadas que podem barrar ideias retrógadas como essas desse Sr. Deputado?

Temos a sorte de poder contar com o Terceiro Setor para impedir que a minoria ruralista poderosa avance mais o que sobrou do meio ambiente. Por que nosso país conta com agricultura familiar em quase 80%.

Deixe nossa floresta em paz. Deixe o Código Florestal Brasileiro em paz!

Deixe quem quer o planeta equilibrado em paz!

Estude mais sobre os 500 anos do país. Só podemos preservar e escolher o caminho do futuro, conhecendo a nossa própria história.

sábado, 3 de abril de 2010

FALTA DIZER

PORTAS...

Ela foi embora? Celebre. Ele sumiu? Dê uma festa. Demissão no trabalho? Cante uma canção.
Loucura? Não, vida.. Para cada porta fechada, inúmeras outras escancaram-se. E quase sempre, sempre, para melhorar.
Entre numa dessas portas e depois olhe para trás e diga: - Ah, como está melhor!

Fonte: Luiz Carlos Prates, colunista DC.

quinta-feira, 25 de março de 2010

DÊ UM TEMPO!

Falar o quê?



quarta-feira, 17 de março de 2010

MULHERES DA TERRA

Vídeo muito lindo exibido pela RBS/TV no SC em cena do dia 13 de março de 2010. Mostra a força da mulher camponesa, guerreira e que valoriza a sua cultura e o meio ambiente que vivem.

Ainda quero ter por perto um canto onde possa contar com uma vizinhança tranquila, orgânica. Tenho pensado muito sobre a cultura do veneno, dos agrotóxicos. Onde moro usam herbicidas o tempo todo, todos os dias, nas ruas, nas plantações, nos jardins, nos terrenos urbanos para ficarem "limpinhos", estéreis, mortos.

Igualmente também questiono o modus vivendi que acaba nos consumindo, muito mais do que consumimos. Como nos livrarmos, ou ao menos diminuirmos essa imposição que anestesia as pessoas?
O que fazer para ligar novamente as pessoas nas pequenas grandes coisas? Onde não há som alto, desrespeito, poluição e estupidez?

É para lá que desejo ir.

Essa é a toada do vídeo abaixo, feito pela Márcia Paraíso, a mesma que dirigiu o documentário Mundo Selvagem, em que eu e família participamos. Sensível, inteligente, diferente por mostrar que existe visões diferenciadas, raras e que ainda há sonhos para serem sonhados.




sexta-feira, 20 de novembro de 2009

E SE NADA ACONTECER?




E se nada acontecer?
Se os rostos deformados e os sentidos mendigos, os olhos famintos e as mãos que interrogam, a carne que sangra e afoga os desejos;
se tudo isso se transformar em cinza e ausência e a dúvida acenar ainda?
E se o silêncio pesar sobre o grito de angústia, se a esfinge recolher seu sorriso transfigurado, se todos os sonhos forem abortados... e se nada acontecer? E se tudo isso não tiver a menor importância?

domingo, 1 de novembro de 2009

VÍDEO RECORDISTA DE ACESSOS NO CLICRBS E NO YOUTUBE

O vídeo abaixo é um dos mais acessados no país. Luís Carlos Prates falou o que muita gente gostaria de dizer...




sexta-feira, 2 de outubro de 2009

SANTA CATARINA, MARINA SILVA, SUSTENTABILIDADE




Questionar faz bem. Falar também.
Há mais de um século Freud descobriu a cura de vários problemas fazendo com que as pessoas simplesmente "colocassem para fora" o que estavam sentindo. E hoje a psicoterapia é usada para melhorar a performance do cérebro em todas as áreas. O Meio Ambiente não fica de fora.
Dentro de um tema tão abrangente como a Sustentabilidade, que trata do gerenciamento de recursos - humanos, naturais e financeiros - a discussão pelos limites ambientais definidos é a única maneira de salvar o planeta e descobrir o legado para as gerações futuras. Além de comprar menos, ser mais eficiente no uso da energia, viajar menos de carro e de avião, economizar, fazer investimentos éticos, devemos protestar! O protesto é o carro chefe para mudar o mundo.

Assisti uma entrevista com a Marina Silva (recém coligada ao Partido Verde) no Programa do Jô e foi muito esclarecedora com a "sustentabilidade" no Meio Ambiente. Poucas vezes ouvi definições tão sábias sobre Meio Ambiente como as dela. Como ela disse, Meio Ambiente não é um tema à parte. Deve andar junto com todas as áreas. Ficar batendo no Meio Ambiente como faz o atual modelo econômico é não só andar para trás, é deixar o colapso econômico tomar conta. Porque economia deve andar junto com o equilíbrio ambiental. Crescimento é necessário, mas vai enfrentar sérios problemas se for desordenado, se não houver poíticas públicas que definam até onde se pode ir.

Os países ricos deveriam assumir essa liderança. Mas eles não têm traquejo para isso. Países como o Brasil podem tornar-se uma potência Ambiental. E Marina Silva pode colocar o nosso país no Primeiro Mundo Ambiental.
Ainda pode. Ainda dá tempo de mudar alguma coisa. Não é tarefa simples, não é mágica. É trabalho. Países como a Rússia e a África estão mostrando como o colapso no sistema social traz perdas para o bem-estar humano.
Por isso a necessidade de se criar um sitema econômico robusto e sustentável em termos ecológicos.

Atualmente de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já estamos acima do limite das emissões de carbono e deveríamos reduzir 80% em relação ao ano de 1990 para prevenirmos a interferência no clima mundial. Santa Catarina, assim como o Sul do país vêm amargando tragédias sequenciais desde o "Furacão Catarina".
Recentemente três tornados devastaram cidades como Guaraciaba no oeste catarinense. Logo em seguida muita chuva ameaça novamente o vale do Itajaí e o sul do estado. Lá na Amazônia poderá haver seca.
Parece que a chuva da Amazônia veio toda para o sul e a previsão é que seja assim até o final da primavera. Parece que Santa Catarina vai ter que caminhar para tecnologia se quiser sobreviver aos fenômenos climáticos intensos, além de uma política ambiental eficiente.
Assim como o Japão convive com os terremotos, temos que ter construções que suportem vendavais, tornados, furacões etc. Apesar disso, ainda somos um estado maravilhoso com natureza exuberante e um povo guerreiro. Resta colocar tudo isso e o governante certo para trilhar o caminho do futuro.

O futuro, claro, como sempre está nas nossas mãos!
E queremos deixar para os nossos filhos e netos propostas que façam o meio ambiente tornar-se sustentável. E fazer valer nossas ações!


Foto: RPPN Rio das Lontras