sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O Eucalipto dos Etílicos & Sedentos

Os integrantes da banda Etílicos e Sedentos

Os Etílicos e Sedentos são uma banda de Brusque-SC e suas músicas são voltadas à crítica social. E o meio ambiente não poderia ficar de fora, já que o ser humano depende desse meio para viver e coexistir.
Atualmente o governo de Santa Catarina vêm divulgando uma campanha muito bem feita no rádio e na tv: "...somos o estado com o maior índice nacional de preservação...", diz a bela mensagem da publicidade oficial. 
Sim, frente a quase total extinção do bioma campeão de biodiversidade, temos ainda um bom naco de mata atlântica sobrevivente, mas a realidade esconde outros fatos extremamente relevantes: O estado de Santa Catarina foi um dos que mais desmataram segundo os últimos dados do atlas dos remanescentes da mata atlântica da Fundação SOS Mata Atlântica. E o atual levantamento feito pela ong no Planalto Norte revela a região como a que mais destrói a floresta em Santa Catarina. Foram 45 autos de infração emitidos e multas que somadas ultrapassam R$ 2,8 milhões por nada menos que 750 hectares de pura destruição de mata nativa. O principal incentivador dos desmatamentos são o próprio incentivo do governo para o reflorestamento de pínus e eucaliptos, onde empresas e grandes produtores derrubam a vegetação nativa para o plantio dessas árvores exóticas. 
A letra da música Eucalipto, que reproduzo abaixo, faz um importante alerta sobre o que anda acontecendo com o pouco que restou da nossa Mata Atlântica. 

OUÇA AQUI!

"Tem eucalipto, muito eucalipto, desvirginando e secando nosso mato"...

EUCALIPTO

Habitat do extermínio de nativas majestosas
No solo são derrubadas desfigurando nossas matas
A razão tem um declínio por moedas valiosas
A ganância é plantada made in austrália
É veloz no crescimento tem a sede de um gigante
Para-raio dominante!

Tem Eucalipto! Muito Eucalipto!
Desvirginando e secando nosso mato

Reflorestamento! Será doutor? Deserto verde e perfumado
Baixa diversidade abaixa, mono cultura exagerada
A paisagem tem um cinismo organizada em fileiras
Hectares estão surgindo, culpa de quem semeia?
A utilidade é instigante tem queimado na caldeira
Sauna, desinfetante!

Tem Eucalipto! Muito Eucalipto!
Desvirginando e secando nosso mato

Devastação da virgem mata, mata espécies, Mata Atlântica
Plantio errôneo abusado no papel autorizado
Mico Leão não é coala, xokleng não é aborígene
Mananciais agonizantes, ladrão de nutrientes
Imigrante oceânico, estadia indesejada
Celulose, pau de caibro!

Tem Eucalipto! Muito Eucalipto!
Desvirginando e secando nosso mato

* Leia também comentário no blog  RPPN RIO DAS LONTRAS

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Google Chrome


Foi lançado ontem mais uma poderosa ferramenta de navegação da internet, o Google Chrome.
E logo que soube fui participar da estréia, participando da fase de testes... Aliás, que boa estréia! 
Já estava achando o meu computador lento e pelo jeito quem andava lento é o internet explorer. Achei muito bom, prático e rápido. Dou a dica aos meus leitores que baixem essa nova ferramenta. BAIXE AQUI!
O blog fica bem mais legal lá, confira!

Foto: site g1

sábado, 30 de agosto de 2008

A mulher que não esquece

Jill posa em uma poltrona feita com livros


Já imaginou poder se lembrar de todos os momentos da sua vida? Pois uma americana de 42 anos, chamada Jill Price de 42 anos, garante se lembrar de todos os dias e o que fez em todos os momentos desde os 16 anos. Ela escreveu um livro (A mulher que não consegue esquecer) onde conta sua excêntrica história.

Mas se fosse só uma excêntrica história até que poderia ser divertido, o que não é o caso de Jill, que se diz prisioneira dos próprios pensamentos. Trata-se de uma doença muito rara, diagnosticada em 2005 por uma equipe liderada por James McGaugh, após cinco anos de estudos onde Jill foi a primeira pessoa no mundo com essa síndrome chamada de hyperthymestic syndrome, que foi batizada apartir da palavra grega "thymesis" (lembrança). O que mais impressiona é a rapidez e exatidão com que Jill conta sobre o período que viveu.

Depois da descoberta da síndrome, apareceram outros casos parecidos com o de Jill e a doença parece estar ligada à ocorrência de transtorno obsessivo-compulsivo, esquizofrenia e depressão”, afirma o neurologista Martín Cammarota, pesquisador do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

O fato é que lembrar de tudo o que se passou durante a vida é angustiante. Principalmente dos momentos ruins e traumáticos, por isso ainda bem que nosso cérebro faz inteligentemente uma varredura na nossa memória.

A propósito, o que eu iria fazer mesmo? Ah! Colocar o link de mais sobre essa matéria que foi publicada na revista época em 30/05/2008. Então, acesse AQUI.

Fique sossegado se esquecer sobre o dia de ontem e até de hoje. Aliás, se esquecer que leu essa matéria também não vou achar ruim... Desde que se lembre que esquecer faz bem!

Foto: Philip Toledano/ Revista Época.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Luta entre búfalos, leões e crocodilos


Um vídeo amador chamado "Battle at Kruger", publicado em maio deste ano no YouTube, mostra que nem sempre o rei da selva se dá bem. Filmado por um grupo de turistas, mostra a luta de um grupo de búfalos contra os leões em plena savana da Reserva de Kruger, na África do Sul.

Foram oito minutos de pura emoção, tanto que a filmagem ficou tremida e o pessoal não conseguia ficar quieto diante das cenas, coisa que documentaristas profissionais claro que não fariam. Mas foram os amadores que tiveram a sorte de estar no lugar certo e na hora certa.

Impressionante mesmo é como os leões se salvaram dessa...



segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Onças matam pescador em Cárceres

A cidade de Cárceres, 210Km da capital do Estado do Mato Grosso, Cuiabá, onde entre as atrações turísticas oferecidas está a pesca no rio Paraguai, teve um acontecimento extraordinário no dia 24 de junho deste ano. Duas onças pintadas atacaram um pescador enquanto ele dormia em sua barraca. As notícias dizem que o fato se deve ao aumento da população desse animal pelo fato do Ibama fiscalizar com mais rigor. Mas o inusitado acontecimento de duas onças atacarem juntas (muito raro) um ser humano podem indicar um alerta da falta de jacarés e capivaras, animais que naturalmente fazem parte da sua alimentação. É aquela velha história: o ser humano caça, invade o território e modifica a estrutura biológica de toda uma cadeia alimentar e um dia a "caça" se volta contra o caçador.

Foto de Nestor Fidélis, mostrando a praça Barão do Rio Branco em Cárceres

Majestosa Onça-Pintada

Tragédia na pescaria

Onças pintadas rasgam barraca e matam pescador no rio Paraguai; pai chegou a ver o ataque, mas não conseguiu enfrentar animais

CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres

Duas onças pintadas - supostamente um casal - atacaram e mataram um homem na noite da última terça-feira na região do Pantanal de Cáceres. Os animais devoraram parte do corpo da vítima, que estava no local acampado para pescar.

Luiz Alex da Silva Lara, de 22 anos, pescava com o pai, Alonso Silva Lara, de 54. O ataque aconteceu por volta das 19 horas, quando o rapaz dormia na barraca e o pai estava um pouco afastado, tentando encontrar iscas.

O acampamento estava montado a 230 quilômetros do centro da cidade, numa localidade conhecida como Pacu Gordo, que fica próximo à reserva ecológica do Taiamã.

Os animais rasgaram a lona da barraca e puxaram a vítima pela cabeça, arrastando o corpo por cerca de 50 metros. O pai chegou a tempo de ver o filho sendo arrastado, mas não conseguiu fazer nada.

Ontem pela manhã, ele contou que estava sem qualquer tipo de arma de fogo, carregando apenas um facão, e que quando tentava se aproximar, os animais ameaçavam atacá-lo também. Seus gritos de desespero atraíram outros pescadores que estavam acampados na região, e juntos conseguiram fazer os animais largar o corpo, mas o rapaz já estava morto.

As onças dilaceraram o corpo do pescador. Comeram suas bochechas e nuca. A cabeça ficou totalmente dilacerada, mas o corpo também apresentava marcas das garras, principalmente nas pernas e costas. Os animais ainda morderam sua nuca e as bochechas.

O pai contou que não consegue esquecer a cena e não para de lamentar por não ter conseguido salvar o filho. Fica repetindo que se fosse um único animal, talvez ele tivesse conseguido lutar.

Ele relatou que esse não foi o único ataque de onças naquela região e que outros pescadores já foram atacados. Segundo Alonso, os animais estão famintos porque não há mais comida farta na região, como jacarés e capivaras, enquanto a população de onças está crescendo.

A reportagem tentou contato com o Ibama para obter mais informações sobre o número estimado de onças na região do pantanal mas não conseguiu. O pescador diz que o número de ataques vem crescendo nos últimos três anos.

A família não autorizou imagens do corpo da vítima, cuja necropsia foi feita na manhã de ontem no Instituto Médico Legal de Cáceres. O corpo foi resgatado do local do ataque pelos próprios pescadores e transportado, com autorização policial, pelo barco de turismo Babilônia.

Da reserva, ele foi levado para a sede da fazenda Jatobá, e de lá, transportado para o IML por um veículo do Ibama, utilizado na fiscalização da reserva ecológica.

O corpo foi liberado na tarde de ontem e velado no Jardim Vila Nova, sendo sepultado no final da tarde.
Fonte:
RPPN RIO DAS LONTRAS
Diário de Cuiabá

domingo, 3 de agosto de 2008

Formigas saúvas explicam teoria sobre a Amazônia

A diversidade de espécies que proliferou a floresta Amazônica "viaja" em troncos pelos rios e até pelo oceano. Saíram de vários núcleos de vegetação, principalmente da exuberante Mata Atlâncica quando começou a ser devastada. A teoria é defendida pelo biólogo Paulo Vanzolini e mostra como as saúvas chegaram até a Amazônia, superando os quase intransponíveis rios da região.

Formiga "salva" teoria sobre a Amazônia


Saúva rainha ao lado de algumas operárias em uma colônia


Uma hipótese controvertida para explicar por que a Amazônia tem tanta biodiversidade acaba de ganhar reforço. A teoria dos refúgios - noção de que a proliferação do número de espécies de animais da floresta surgiu da divisão da região entre áreas com diferentes tipos de vegetação- é defendida pelo biólogo sambista Paulo Vanzolini. Após sofrer inúmeros ataques, a idéia está sacudindo a poeira e dando a volta por cima.
Tudo por causa de um estudo feito com saúvas. Segundo os autores, que publicaram o trabalho na edição de ontem da revista "PLoS One", a grande explosão de diversidade desses insetos ocorreu à revelia da barreira imposta quando os rios amazônicos se formaram. A superdiversificação é recente, e teve mais vigor por volta de 2 milhões de anos atrás.
"É a primeira vez que a teoria dos refúgios é testada para um grupo de invertebrados", diz Maurício Bacci Jr, bioquímico da Unesp (Universidade Estadual Paulista), do campus de Rio Claro. "Na verdade, estamos propondo uma espécie de reconceituação da teoria dos refúgios", diz o pesquisador. Ele assina o estudo com dois brasileiros e dois americanos.
Os cientistas reconstruíram a história de três espécies de saúva com dados genéticos. Com uma análise estatística das árvores genealógicas dos insetos, foi possível saber qual teoria explica melhor a explosão da biodiversidade das formigas na Amazônia. O método identifica há quanto tempo a troca de genes entre populações de locais diferentes foi interrompida. Isso pode fazer uma espécie se dividir em duas.
"Esse estudo, logo de início, mostrou que as formigas proliferaram pela floresta independentemente da barreira formada pelos rios amazônicos." Isso não foi visto nas viagens do grupo, mas há relatos de que ninhos de formiga navegam pelos rios em troncos, podendo atravessar quilômetros de extensão. "Voando, realmente, as formigas não conseguem", diz Bacci Jr. "Mas isso [a travessia] ocorre até nos oceanos."

A floresta virou mar

Os mesmos testes, entretanto, foram mais adiante. Eles mostraram que, além da teoria dos refúgios, uma outra tese proposta pelos cientistas para explicar a diversidade da floresta também teve um papel relevante no caso das saúvas.
"A invasão marinha [por causa do aumento do nível dos oceanos] é que teria se iniciado o processo de isolamento. Depois surgiram os refúgios", diz o bioquímico. Esse processo de entrada de água salgada sobre a planície amazônica ocorreu há cerca de 15 milhões de anos -antes, portanto, da formação do rio Amazonas, há 12 milhões de anos, como diz a pesquisa. Com a água entrando, áreas situadas em maior altitude teriam se transformado em ilhas de um "mar" amazônico.
Segundo o novo estudo, as espécies de formiga se diversificaram depois disso, entre 14 milhões de anos atrás e 8 milhões de anos atrás.
A partir desse cenário é que a região Amazônica passou a ser, mais recentemente, um verdadeiro centro de origem de novas espécies de formigas.

Migração

"Mas elas não surgiram diretamente na Amazônia", diz Bacci Jr. Segundo o pesquisador, há evidências de que as formigas deixaram a mata atlântica -antes de ser desmatada ela era mais extensa e exuberante- e, só depois, migraram do litoral para o norte do país.
As saúvas, hoje, estão presente em praticamente todos os países da América do Sul. "Elas só não chegaram ao Chile. As formigas conseguem atravessar os rios, mas subir os Andes é um pouco mais difícil."
Com menos barreiras no resto das Américas, as saúvas já conseguiram migrar até o sul dos Estados Unidos.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: Reuters

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Vinho tinto pode prevenir o envehecimento


Uma substância encontrada no vinho tinto por pesquisadores da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) pode ser a solução contra doenças relacionadas ao envelhecimento. Estudo sugere que a substância revestarol, encontrada no vinho tinto e no suco de uva tem um "efeito dieta" no organismo.

A molécula era um objeto de desejo em razão do chamado "paradoxo francês": a França tem uma incidência menor de doenças cardiovasculares do que a Inglaterra, por exemplo, apesar de ambos os países cultuarem uma dieta rica em gorduras. A explicação estaria no vinho (britânicos preferem cerveja).

A substância ajuda a controlar a chamada homeostase, o equilíbrio entre as funções do organismo. Segundo os pesquisadores, o resveratrol, que é um antioxidante, ajuda a regular proteínas ligadas a essa função. Mas o organismo elimina muito rapidamente essa substância, então está sendo testado outra substância que fixe o revestarol no organismo. Só que ainda será testada em cobaias e estará no mercado farmacêutico por volta de 2013.

Enquanto isso beba um bom vinho, mas não saia por aí "bebendo" indiscriminadamente. O efeito daí pode ser ao contrário.

O revestarol é um "medicamento holístico", então uma taça por dia é o suficiente para brindar à saúde e tratar o organismo como um todo!

Lógico que não dá para dirigir depois de beber...

Fonte Pesquisada: Folha de São Paulo

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Entrevista com o filho de Jacques Cousteau.


Jean-Michel Cousteau retrata "fauna política" amazônica numa continuação de roteiro de viagem que seu pai fez em 1982. O documentário, além de revelar a floresta, ilustra no cenário a estrutura de poder na região, onde além dos habitantes da floresta mostra o atuante "bicho-homem" tanto defensores como destruidores da rica biodiversidade.
O documentário foi feito especialmente com fundos para ser divulgada em TV Aberta mas até agora nenhuma emissora se interessou.
Jean-Michel Cousteau tem 70 anos, é arquiteto e ambientalista. Diz na entrevista concedida à Folha de São Paulo de 23/07 (colada abaixo) que paradoxalmente o fim das Farc poderá estender desmate à Amazônia Colombiana. O documentário se difere do feito pelo seu pai à 27 anos no quesito tecnologia, onde a equipe pôde ser menor e o tempo de conclusão do filme reduzido pela metade. Jean-Michel ainda diz que muita coisa ficou de fora do filme, tamanha quantidade de material produzido.

Jean-Michel Cousteau caminha em mata perto de Manaus.

Em entrevista à Folha, Cousteau fala da viagem:

FOLHA - Quanto tempo o senhor passou na Amazônia desta vez?
JEAN-MICHEL COUSTEAU - Dez meses. Cinco meses no período da seca e cinco meses no período chuvoso, no ano passado e no ano retrasado. Oficialmente, produzimos um programa de duas horas para a televisão, mas na realidade voltamos com muito mais material. Então, estou um pouco frustrado porque há muitos assuntos que não entraram. Eu esperava que, caso a televisão na América do Sul se interessasse, pudéssemos fazer um programa de três horas, mas isso não ocorreu.

FOLHA - O que foi diferente da expedição anterior?
COUSTEAU - Na expedição realizada há 27 anos, passamos 20 meses na Amazônia, com 50 pessoas, com pouca comunicação, pois a tecnologia não estava avançada naquela época. Era difícil se conectar com outras partes da região e, por isso, foi uma aventura maior. Dessa vez, com a tecnologia, ficamos conectados. Tínhamos telefone por satélite que funcionava bem. Estávamos numa equipe de cerca de 20 pessoas. Em dez meses fizemos quase 10 mil quilômetros de viagem. Conseguimos ir a muitos lugares, talvez até mais do que nos 20 meses da expedição passada.

FOLHA - Em quais países?
COUSTEAU - Nós fomos para Peru, Brasil e Colômbia. Não passamos por Venezuela, Bolívia e Equador, por exemplo.

FOLHA - Os satélites mostram que a taxa de desmatamento está aumentando na Amazônia...
COUSTEAU - Eu não sei por que, exatamente. Grandes corporações, como a Cargill, estão priorizando compras a produtos que não desmatam a floresta e que são produzidos em áreas degradadas anteriormente. Não quero pintar um quadro totalmente negativo porque há muitos esforços sendo feitos. Mas, em geral, 90% a 95% das árvores são cortadas ilegalmente. Algumas são cortadas pela madeira, outras, para abrir espaço para gado, soja...
Quando estávamos lá os satélites mostravam que havia 72 mil queimadas ao mesmo tempo. É chocante, mas estamos falando de uma região que é maior que os EUA. Como são nove países, alguns estão fazendo mais do que os outros. Em geral, o Brasil está tentando fazer um bom trabalho, mais que a maioria dos outros países.

FOLHA - Hoje já se sabe que a Amazônia não é o "pulmão do mundo". Como o sr. faz para para convencer o público de sua importância?
COUSTEAU - Sim, isso está errado. Mas, e as emissões de CO2? É disso que se trata. A floresta tropical tem a ver com a umidade e é importante para manter o sistema e para controlar o clima. Se for cortada, trará enormes conseqüências climáticas. Proteger a Amazônia não é questão só dos nove países, mas do mundo. Então, temos de pagar por isso, há um preço. Isso tem a ver com saúde, com água, com não precisar colocar ar-condicionado em casa porque ficou muito quente.

FOLHA - Os governos de outros países devem pagar?
COUSTEAU - Nós devemos, não me importa se são os governos ou as pessoas em geral. Nós, de fora, precisamos ou calar a boca ou oferecer assistência se é desejado. O certo é pagar, porque estamos tendo algo em troca. Se alguém dá R$ 10, um bilhão de pessoas são R$ 10 bilhões por ano. É muito dinheiro.

FOLHA - O que chama mais à atenção em relação à viagem de 1982?
COUSTEAU - Há muito mais gente na Amazônia. O governo militar encorajava pessoas a se mudarem para lá pois chamava a região de um "deserto verde", que precisava ser ocupado.

FOLHA - O que o senhor pensa de Mato Grosso, Estado bastante criticado pelo desmatamento?
COUSTEAU - Como se pode ter um governador que tem a maior produção de soja do planeta e não ter conflito com o ambiente? Mas as pessoas gostam dele [Blairo Maggi], elegeram-no. Porque agora têm emprego. Mas por quanto tempo? Ele realmente se preocupa com seus netos que vão ficar sem emprego porque não vai sobrar nada lá? Enquanto isso, não sei se ele está fazendo muito dinheiro. Ele dorme bem à noite? Não sei. Eu gostaria de conversar com ele, marquei uma reunião, mas ele conseguiu evitar...

FOLHA - Há muitas questões internacionais sobre a Amazônia...
COUSTEAU - Sim, por exemplo, o que acontecerá na Colômbia agora que as Farc perderam força? Apesar de eu não concordar [com as Farc], a conseqüência é que a presença delas protegeu a floresta na Colômbia, um paradoxo. Quando elas se forem, o que vai acontecer?

FOLHA - O sr. se deparou com guerrilheiros em sua passagem lá?
COUSTEAU - Não desta vez. Estávamos bem perto, sabíamos onde eles estavam.

FOLHA - Mas pediram permissão às Farc para entrar na região?
COUSTEAU - Ah, sim. As pessoas que nos deram permissão não queriam que nos machucássemos e diziam até onde podíamos ir. Foi tudo bem.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: Carrie Vonderhaar/Ocean Futures Society/KQED

Um pouco mais "Dercy"


Era o que alguns artistas costumavam dizer quando o ensaio não rendia o esperado. E o que seria um pouco mais "Dercy"? Uma forma de deixar a vida mais leve, deixar o riso apropriar-se da alma.
Dercy Gonçalves deixou-nos aos 101 anos e seu enterro na sua cidade natal Santa Maria Madalena - RJ, não poderia ser igual aos simples mortais: construiu uma pirâmide e foi enterrada de pé conforme pedido. Um local para os fãs voltarem sempre para conversar com ela quando quiserem.
Tomava pelas manhãs caldo de feijão, guaraná em pó e café, mas sua energia vinha mesmo de uma grande superação das dificuldades que enfrentou na vida, fazendo humor da própria tragédia.
Não tinha apêgo à nada e as coisas ruins esquecia no mesmo minuto. Apagou o emocional da sua vida e seu discurso sempre foi o mesmo até o fim, como no vídeo de entrevista com Marília Gabriela em 1977 que coloco abaixo.
Acredito que ser "um pouco mais Dercy" seja nada menos que transformar os dilemas da vida em um desfecho surpreendente. Seja um pouco assim. Só um pouco, porque está para nascer Dolores com tamanha superação das "dores"!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Lei seca no Trânsito



Tem muita gente preocupada com a nova lei seca para o trânsito. Esse é um sinal de que antes do vigor da nova lei, muita gente bebia. E não era pouca gente. Entre uma cervejinha aqui e uma inocente cachaçinha ali, os acidentes de trânsito vinham acontecendo de forma indiscriminada.

Vejo no noticiário o jeitinho que o pessoal anda tendo que dar para continuar dando os seus goles de final de expediente. A turma agora leva junto “um cidadão que não bebe” e assim vão se revezando. Tem até bares que estão oferecendo um novo serviço: levar o “bebum” de volta para casa e assim não perder a clientela.

É obrigado beber? Não sabia... E como tem gente que bebe por obrigação social de final de expediente para “embriagar” suas frustrações...

Dráuzio Varella no texto que escreveu na Folha de S. Paulo no dia 19 de julho de 2008 e que reproduzo abaixo, explica bem porque a nova lei é sensata. Simplesmente não há como permitir que os fisiologicamente menos sensíveis à ação do álcool dirijam numa boa. Como fazer uma lei para quem pode beber a vontade e não perde seus sentidos?

Como ele diz no texto: "Viria carimbado na carteira de habilitação? Tem cabimento ingerir uma droga que altera os reflexos motores, o equilíbrio e a percepção espacial de objetos em movimento e sair por aí pilotando uma máquina na qual uma pequena desatenção pode trazer conseqüências fúnebres?"

Dados não mentem: Um décimo de todos os acidentes com vítimas resultam de dirigir com excesso de álcool no sangue. Um terço dos motoristas e motociclistas mortos têm níveis de álcool acima do limite legal. Dois terços dos motoristas e passageiros mortos nas madrugadas de sextas-feiras têm níveis de álcool no sangue acima do limite legal. MILHARES DE PESSOAS MORREM, todo ano, vítimas de acidentes causados pelo problema.

O fato é que depois da lei seca entrar em vigor os acidentes vem diminuindo. Só em São Paulo foram 27% a menos.

A propaganda era assim: Se beber, não dirija. Agora passa a fazer sentido.







GOSTO DE BEBER, e confesso sem o menor sentimento de culpa. Álcool, de vez em quando, em quantidade pequena, dá prazer sem fazer mal à maioria das pessoas. Aos sábados e domingos, quando estou de folga, tomo uma cachaça antes do almoço, hábito adquirido com os carcereiros da antiga Casa de Detenção. Difícil é escolher a marca, o Brasil produz variedade incrível. Tomo uma, ocasionalmente duas, jamais a terceira. Essa é a vantagem em relação às bebidas adocicadas que você bebe feito refresco, sem se dar conta das conseqüências. Cachaça impõe respeito, o usuário sabe com quem está lidando: exagerou, é vexame na certa.
Cerveja, tomo de vez em quando. O primeiro gole é um bálsamo para o espírito; no calor, depois de um dia de trabalho e horas no trânsito, transporta o cidadão do inferno para o paraíso. O gole seguinte já não é igual, infelizmente. A segunda latinha decepciona, deixa até um resíduo amargo; a terceira encharca.
Uísque e vodca, só tenho em casa para oferecer às visitas.
De vinho eu gosto, mas tomo pouco, porque pesa no estômago. Além disso, meu paladar primitivo não permite reconhecer notas de baunilha ou sabores trufados; não tenho idéia do que seja uma trava sutil de tanino, nem o aroma de cassis pisado, nem o frescor de framboesas do campo. Em meu embotamento olfato-gustativo, faço coro com os que admitem apenas três comentários diante de um copo de vinho: é bom, é ruim, e bebe e não enche o saco.
Feita essa premissa, quero deixar claro ser a favor da chamada lei seca no trânsito.
Sejamos sensatos, leitor, tem cabimento ingerir uma droga que altera os reflexos motores, o equilíbrio e a percepção espacial de objetos em movimento e sair por aí pilotando uma máquina na qual uma pequena desatenção pode trazer conseqüências fúnebres?
Ainda que você não seja ridículo a ponto de afirmar que dirige melhor quando bebe, talvez possa dizer que meia garrafa de vinho, três chopes ou uísques não interferem na sua habilidade ao volante.
Tudo bem: vamos admitir que, no seu caso, seja verdade, que você tenha maior resistência aos efeitos neurológicos e comportamentais do álcool e que seria aprovado em qualquer teste de resposta motora.
Imagino, entretanto, que você tenha idéia da diversidade existente entre os seres humanos. Quantas mulheres e quantos homens cada um de nós conhece para os quais uma dose basta para transtorná-los?
Quantos, depois de duas cervejas, choram, abraçam os companheiros de mesa e fazem declarações de amizade inquebrantável? Está certo permitir que esses, fisiologicamente mais sensíveis à ação do álcool, saiam por aí colocando em perigo a vida alheia?
Como seria a lei, então? Deveria avaliar as aptidões metabólicas e os reflexos de cada um para selecionar quem estaria apto a dirigir alcoolizado? O Detran colocaria um adesivo em cada carro estabelecendo os limites de consumo de álcool para aquele motorista? Ou viria carimbado na carteira de habilitação?
Talvez você possa estar de acordo com a argumentação dos advogados que defendem os interesses dos proprietários de bares e casas noturnas: "A nova lei atenta contra a liberdade individual".
Aí, começo a desconfiar de sua perspicácia. Restrições à liberdade de beber num país que vende a dose de pinga a R$ 0,50? Há escassez de botequins nas cidades brasileiras, por acaso? Existe sociedade mais complacente com o abuso de álcool do que a nossa?
Mas pode ser que você tenha preocupações sociais com a queda de movimento nos bares e com o desemprego no setor.
A julgar por essa lógica, vou mais longe. Como as estatísticas dos hospitais públicos têm demonstrado nos últimos fins de semana, poderá haver desemprego também entre motoristas de ambulâncias, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, agentes funerários, operários que fabricam cadeiras de rodas, sondas urinárias e outros dispositivos para deficientes físicos.
No ano passado, em nosso país, perderam a vida em acidentes de trânsito 17 mil pessoas. Ainda que apenas uma dessas mortes fosse evitada pela proibição de beber e dirigir, haveria justificativa plena para a criação da lei agora posta em prática.
Não é função do Estado proteger o cidadão contra o mal que ele faz a si mesmo. Quer beber até cair na sarjeta? Pode. Quer se jogar pela janela? Quem vai impedir?
Mas é dever inalienável do Estado protegê-lo contra o mal que terceiros possam causar a ele.


Fonte: Folha de São Paulo