domingo, 8 de agosto de 2010

RPPN DE FACHADA

Uma matéria do Correio do Litoral informa aquilo que já há algum tempo vem acontecendo.

Empresas criam RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) e fazem a destruição do meio ambiente ficar "verdinha" novamente. Passam a bola para os biólogos fazerem um discurso bem bonito para a criançada. Sofismo. Enganação. Leia com atenção a matéria abaixo e cuidado para não "trilhar" o ecológico das palavras bonitas e atitudes covardes.



Alerta aos pais

ESCRITO POR FERNANDA DE AQUINO

O governo federal criou um programa chamado Segundo Tempo, considerado pela Organização das Nações Unidas o maior e mais completo Programa sócio-esportivo do mundo. O objetivo é democratizar e oferecer a prática de modalidades esportivas para crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, no contra turno escolar, contribuindo para a formação da cidadania e a melhoria na qualidade de vida.

Numa parceria com as prefeituras, durante o período de férias escolares, o programa passa a se chamar Recreio nas Férias. Até aí tudo bem. Mas, adivinhe como a coisa funcionou em São Francisco do Sul.

Cerca de 300 jovens e crianças entre 6 a 17 anos foram conduzidas à empresa ARCELORMITTAL VEGA para, sob o monitoramento de profissionais da empresa, visitarem a área verde por ela denominada de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Durante o passeio na trilha, naturalmente que os estudantes aprenderam o nome de algumas das diversas espécies de plantas as quais sempre fizeram parte de suas vidinhas, considerando que todos vivem numa ilha “ainda” bastante natural. Posso ver o monitor, que provavelmente é um biólogo desnaturado, dizendo da importância de se preservar a natureza, do quanto isso depende dessa nova geração, blá, blá, blá... num discurso politicamente correto.

É isso mesmo! Por questões puramente políticas, informações preciosas a respeito dessa empresa não foram passadas aos estudantes nem antes, nem durante, nem depois da visita – o que, reconheçamos, seria mais honesto. Meia verdade é uma mentira inteira. É um crime contra o ser humano em formação. É uma covardia porque usa mensagens subliminares para inverter valores universais.

As crianças e adolescentes provavelmente saíram de lá com a idéia de que a Vega é uma mãe. Sem saberem que a cabeça que ajuda a formar uma mentalidade ecológica na nova geração é a mesma que vem destruindo boa parte do equilíbrio ecológico na ilha. Irônico. Triste. Revoltante.

Instalada há mais de 10 anos em São Francisco, sob protestos vigorosos da população, a fábrica, além de ficar com a água potável dos francisquenses por direito, ainda a polui em níveis alarmantes. De processos movidos por ongs ambientalistas, ela está até o pescoço. Mesmo assim, permanece. Enquanto isso, trata de ir passando a mão na cabecinhas das crianças e promovendo pequenas benfeitorias à população – o que seria da responsabilidade do estado e município, como pintar as escolinhas de cores modernas, comprar uns moveizinhos novos para essas escolinhas... Isso sob o aplauso dos pais, que são obrigados a se sentirem agradecidos à tamanha benevolência para o resto de suas vidas. Eles, os caras da tal empresa, sabem que “quem meu filho beija, minha boca adoça” e fazem um bom uso disso.

Pois é assim mesmo que se constrói uma pessoa. Uma idéia aqui, outra acolá. E quando se vê, lá está o ser humano, pleno em sua fé. E é fundamentada nesta fé que suas atitudes serão direcionadas amanhã.

Troca de favores é uma prática comum e plenamente aceitável. Agora... envolver criancinhas na história é mais do que demonstração de poder. É aproveitar-se covardemente da ignorância social para obter benefício próprio, é manipular uma geração inteira que está por vir a favor de interesses escusos e capitalistas. Tendo sido filha de pai e mãe avessos a tudo aquilo que convém, graças a Deus, eu não permitiria que um filho meu participasse de tal “passeio” Que fique o alerta aos pais.

Fonte: Correio do Litoral